BRASIL SÉRIE
600
Alface do tipo manteiga,
resistente ao tospovírus TSWV
Até
1970, o Brasil importava de 20 a 30t/ano de sementes dos cultivares White Boston
e Sem Rival, procedentes, respectivamente, dos Estados Unidos e da França.
Esses cultivares são sucetíveis ao vírus do mosaico (Lettuce Common mosaic
Virus - LMV). Em conseqüência, as perdas na época do inverno eram superiores
a 50%. Para solucionar tal problema, iniciou-se um programa de melhoramento de
alface no Instituto Agronômico, em 1968.Em 1973, foi lançado o cultivar
Brasil-48, resistente ao vírus do mosaico, e o primeiro cultivar brasileiro de
alface. Em seqüência, o programa lançou outros cultivares: Brasil 202, Brasil
221, Brasil 303, Brasil 304. Além disso, esse material serviu de fonte de
resistência para programas de melhoramento de outras instituições.
Em 1986, surgiram surtos epidêmicos de vira-cabeça em alface, causados por um tospovírus (Tomato Spotted Wilt Virus - TSWV). Para solucionar o novo problema iniciou-se, em 1987, uma série de cruzamentos visando obter cultivar resistente ao TSWV.
O controle do vírus é preventivo, sendo realizado através de práticas culturais e controle do vetor, que são são difíceis de serem adotadas pelo produtor, em sua totalidade, resultando em baixa eficiência. Assim, o uso de cultivar resistente é a opção de controle mais econômica e eficiente.
HISTÓRICO
'Brasil série 600' são linhagens obtidas do cruzamento entre os cultivares Regina e PI 342517 ('ancora'), realizado no Núcleo Experimental de Campinas, em 1987. PI 342517 é alface do tipo manteiga e resistente ao tospovírus do vira-cabeça (TSWV). No entanto, sob condições de verão, produz cabeça muito pequena.'Regina' é um cultivar tradicional, com excelentes características de adaptação ao verão.
A partir de 1997, começaram os ensaios preliminares de linhagens F5, na Estação Experimental de Agronomia de monte Alegre do Sul, em condições de campo. As linhagens selecionadas originaram-se da progênie 88602 (p2), selecionada em f2 no Núcleo experimental de Campinas, em 1989. Em 1998, tais linhagens estão sendo testadas também em hidroponia, nas Núcleos Experimentais de Campinas e da Alta Mogiana, em Ribeirão Preto e cujos cultivares serão lançados oportunamente.
CARACTERÍSTICAS DAS PLANTAS
As linhagens Brasil série 600
apresentam, em média, altura de 19cm, diâmetro de 36cm e peso fresco de 350g,
no verão. As plantas são grandes, porém, não formam cabeça e apresentam, em
média 46 folhas, sendo 30 grandes.
As folhas são macias ao tato e apresentam coloração verde brilhante (oleosa), textura rugosa, espessura média, formato arredondado, medindo 19cm de comprimento por 18cm de largura e margem levemente ondulada.
O ciclo, da semeação à colheita, varia de 70 a 80 dias, dependendo do local e dos tratos culturas, sendo, em determinadas condições, 3 a 4 dias mais tardio que o cultivar Regina. As plantas apresentam pendoamento lento, com início do floresciemnto após 120 dias da semeadura e maturação das sementes aos 150 dias. As sementes são de coloração preta.
RESULTADOS EXPERIMENTAIS
Resultado de experimentos em campo, no verão, realizados na Estação Experimental de Agronomia de Monte Alegre do Sul, mostram que a produtividade média das linhagens da série 600 (25.000kg/ha) é superior à do cultivar Regina e no verão, semelhante à do 'Elisa'.
As linhagens da série 600 têm aspecto excelente, principalmente no verão, quando comparada com os cultivares comerciais. Apresentam ainda, baixa incidência de manchas de cercospora e septoriose. Em cultivar Regina, com média de 300g de peso fresco por planta, aos 55 dias de idade.
EQUIPE DE PESQUISA
Melhoristas:
Joaquim Adelino de Azevedo Filho
Hiroshi Nagai
Colaboradores:
Arlete Marchi Tavares de Melo
Walkyria Bueno Scivittaro
Valdir Atsushi Yuki
Maria Aparecida de Souza Tanaka
Maria Angélica Pizzinatoo
Pedro Roberto Furlani
Denizart Bolonhesi